Crônica: Cinco anos faz – MUITA – diferença (parte 1)

Hoje o post vai ser um pouquinho diferente.

Andei meio ausente, eu sei, mas nada está abandonado!

Resolvi escrever uma crônica sobre alguns fatos da vida e, enquanto pensava neles lembrei de uma conversa entre amigos. Estávamos relembrando infância, adolescência e início da vida adulta, quando nos deparamos com a frase: cinco anos faz diferença!

Há cinco anos atrás, eu não tinha tantas responsabilidades, estava no final da faculdade, sem levar tudo tão a sério, mas estava me formando bem e pra mim era o suficiente. Não tinha a necessidade de trabalhar, era privilegiada pela família que pagava a faculdade, então não me preocupava muito com isso. O que eu queria era entrar no mundo da moda, conhecer o glamour – ou a falta dele -, estilistas famosos, SPFW, bastidores, roupas lindas e inspiradoras, fashionistas incríveis e lugares incríveis! Aprender como se fazia tudo aquilo, desde organização de camarim e sala de desfile a “vestir” modelos e colocá-los na fila de desfile, preparados para entrada. Aprendi que nunca, em hipótese alguma, devia trabalhar usando salto. Nunca se sabe o que pode acontecer e, no meu caso, tinha que atravessar a Bienal de um lado para o outro de 5 a 8 vezes por dia, tinha que abaixar e levantar o tempo todo, sem falar em correr pra todo lado. Sim, porque é tudo uma correria muito louca e não – não pense que está tudo pronto, separado, preparado. Sempre tem alguma coisa muito importante a se fazer, mesmo que tudo pareça estar pronto. A Lei de Murphy parecia regra, não exceção, em todos os desfiles que trabalhei. E era isso que eu perseguia quando tinha vinte anos. Também saía de casa sempre que tinha uma oportunidade, estava sempre com as amigas e sempre em festas diferentes, ou no jockey domingo vendo as corridas e paquerando, ou simplesmente dando voltas pelo bairro. Foi uma época de muita diversão, risadas e cabeça fresca, sem nada pra me preocupar – nem o futuro me preocupava tanto.

Depois que me formei chegou a grande dúvida e principalmente, o maior medo de todos. O que fazer? E o que fazer se eu não conseguir fazer o que decidi? Pois é, foram cinco meses de dúvidas, medos, aflições e muita angústia, me perguntando, procurando, querendo. Porque parecia muito mais fácil conseguir emprego um ano antes, fazia vários freelas e participava de eventos sempre. O que muda é você querer receber pelo seu trabalho.

Pois é, quando eu finalmente decidi ter responsabilidades e pensar no futuro, parecia ser impossível começar! Meu Deus, como é difícil. Se você acha que é difícil passar no vestibular, tente viver a vida pós formação. É a pior fase de transição que já passei!

O primeiro emprego é tudo isso que falam: difícil, empolgante e chato, você aprende muito e ganha pouco. Só que o meu resolveu ir um pouco além. Como produtora de moda virei noites de trabalho, finais de semana e feriados inteiros trabalhando, sem descanso, aguentando muitas grosserias. Fiquei um ano e meio nessa vida e enfim decidi que isso não era pra mim. Não tinha qualidade de vida! Vivia estressada, mal-humorada, cansada, com 22 anos! Tirando as pessoas incríveis com quem trabalhei, não valia a pena. Porque os relacionamentos eu podia manter mesmo fora dali, certo? Então, um belo dia, cansada e estressada como sempre, recebi uma grosseria que por pouco não me fez mandar todo mundo pra aquele lugar. E finalmente me libertei!

yoga

Getty Images

Hoje em dia penso que foi a melhor coisa que fiz na vida. Bom, uma das melhores. Ter trabalhado lá e depois, ter saído.

Por mais perrengues que eu tenha passado – e olha que passei por muitos – tudo foi muito válido. Aprendi a conquistar o respeito das pessoas, aprendi a me impor, a dizer não e amadureci muito profissionalmente.

Depois disso trabalhei em outras duas agências e fui Personal Stylist, passei por muitas mudanças na vida, encontrei e desencontrei pessoas incríveis. Sabe, aquelas que, algumas são estrelas cadentes e outras são pra sempre? Faria tudo de novo. Perdi pessoas amadas e acredite, ninguém nunca vai aprender a conviver com isso. Não existe jeito certo de se passar por perdas, existe apenas o seu jeito e o seu tempo, para finalmente, o sofrimento virar saudade.

Hoje, com 25 anos, usando e testando cremes anti-sinais (me recuso a dizer que são anti-rugas), amando e valorizando mil vezes mais as pessoas à minha volta, vejo que cinco anos faz sim, muita diferença.

Seja na carreira, na vida, no amor, nas amizades, em tudo que se vive e todas as experiências que alguém pode passar, lembre que há cinco anos atrás você era uma pessoa muito diferente do que é agora! E existem ainda tantos “cinco anos” por vir! Tanta coisa ainda vai mudar, tanta coisa pra aprender, pra esquecer, gente pra conhecer e amar!

Ah, o medo não passa, viu? Nunca passou e nem vai passar. O que não pode de jeito nenhum é deixar de agir por conta dele. Todas as escolhas que fazemos têm consequências maiores do que imaginamos, portanto não deixe ninguém escolher por você. Ouça e aprecie conselhos, mas no fim, tome sua própria decisão. É o que eu venho fazendo nos últimos anos e acredite: é muito melhor pensar que você errou por você mesmo, do que pensar que errou por ter seguido o pensamento de outra pessoa.

Minha escolha de trabalhar na moda ainda me deixa com dúvidas até hoje. É como eu sempre digo, as dúvidas são parte da vida adulta e, até hoje, não sei se amo ou se odeio ser adulta.

Mas como existem poucas coisas na vida que podemos ter certeza, sigo em frente persistindo nesse sonho nada glamouroso.

Afinal, só podemos ser felizes fazendo o que amamos! Em todos os departamentos da vida. Porque é pra isso que estamos aqui.

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6 comentários sobre “Crônica: Cinco anos faz – MUITA – diferença (parte 1)

  1. Foram 05 anos de muitas experiências vividas, novas descobertas, e por mais que vc conte histórias, mostre fotos, compartilhe tudo que aconteceu, ninguém nunca saberá exatamente como foi, a não ser vc mesma.
    Viver intensamente é o que nos resta.
    Amei o texto!!!!
    Qualquer coisa grita e vem tirar um pouquinho dessas rugas aqui nas praias de Maceió =)
    Saudades
    Beijosss

  2. Nossa, que orgulho, como 05 anos amadureceram você, com medo ou não, a vida sempre te reservará surpresas, mais boas do que ruins, acredite! E você só está começando, me lembro bem que, depois de trabalhar 05 anos no meu primeiro emprego também percebi que não queria aquilo pra mim e me demiti, não, eu não tinha outro emprego à vista…mas fiz o que o meu coração – com muita razão, porque razão também conta – mandou. Procure sempre ser feliz e saiba que sempre serei seu porto seguro, sua tia, sua amiga e sua mãe postiça. Te amo!!!

  3. Concordo que 5 anos faz muita diferença, mas talvez eu tenha uma maneira muito racional para esta conclusão :
    – 5 segundos é tempo suficiente para uma resposta de sim ou não para tantas situações no nosso dia a dia, em casa “você quer um café?”, no metrô “você vai se sentar?”, na balada “quer dançar?”
    – 5 minutos é o suficiente para ouvir aquela música que te traz tantas lembranças, que marcam momentos importantes na sua vida;
    – 5 horas para um passeio completo, um cinema com um lanche depois, ou um teatro seguido de um jantar, ou até aquela festa de aniversário com os amigos
    – 5 dias te mostram toda sua semana em dias úteis de trabalho ou de aula na escola ou faculdade, ou todos os dias para seu Carnaval (de sábado a quarta feira de cinzas)
    – 5 meses são suficientes para nós atletas amadores obtermos condicionamento em uma atividade física, realizar alguns cursos mesmo que de fim de semana, conseguir resultado com qualquer dieta ou regime
    então, em 5 anos pode acontecer tudo isso e muito mais, coisas que já foram ditas aqui, conhecer e perder pessoas, experiências tristes e felizes, novas situações com pessoas conhecidas e novas pessoas em situações conhecidas, mas não importa como, o importante é viver esses 5 anos e da melhor maneira possível, o que na minha opinião só é possível com a família, o pilar da nossa vida.

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